Atores buscam ‘estabilidade’ em novelas antigas e deixam streaming de lado

O retorno das novelas de TV

Em um movimento que lembra o ressurgimento do vinil no mundo da música, a televisão aberta parece estar reconquistando seu espaço entre os profissionais de Hollywood. Em meio a um cenário de contração na indústria do entretenimento, os empregos em emissoras tradicionais, antes considerados ultrapassados, tornaram-se subitamente cobiçados. Pelo menos, são vistos como uma fonte de renda mais estável para a classe criativa em encolhimento.

“Muitas pessoas que costumavam me dizer: ‘Eu nunca faria um programa como Law & Order, nunca faria aquilo’, agora dizem: ‘Estou tentando sustentar minha família. Tenho dois filhos e preciso garantir que posso colocar comida na mesa e ainda pagar esta casa’”, revela um importante agente de TV, em depoimento à publicação P6H.

Apesar de não possuírem o mesmo glamour, os trabalhos em emissoras abertas oferecem um nível de estabilidade que o streaming muitas vezes não consegue garantir. “Você não ganha prêmios ou é indicado para nada se estiver fazendo um programa de rede, mas ele paga as contas”, afirma o agente. “Por mais que seja um meio em declínio, as pessoas ainda querem trabalhar lá porque você pode ter um estilo de vida consistente e saber como sua vida será.”

Novos projetos e rostos conhecidos

Um exemplo desse movimento é o reboot de “The Rockford Files” pela NBC, liderado por Mike Daniels, que recentemente foi co-showrunner de “Ponies”, da Peacock. Seu último trabalho em TV de rede foi em 2019, com o drama jurídico “Bluff City Law”. Greg Mottola dirige e produz o piloto, marcando seu retorno à TV de rede após trabalhos em séries de streaming como “Peacemaker” e “Nobody Wants This”.

Allegra Edwards, conhecida por seu papel em “Upload”, da Amazon, agora co-estrela a comédia de vampiros da CBS, “Eternally Yours”. Outro sucesso recente, “Best Medicine”, da Fox, contou com Josh Charles em seu primeiro papel principal em TV de rede desde “The Good Wife”.

O dilema entre streaming e TV aberta

Para atores mais jovens, o streaming ainda oferece o que a TV aberta, em grande parte, não oferece: papéis principais. “Não há protagonistas em programas de televisão de rede para uma garota de 25 anos”, acrescenta o agente. “Mas no streaming, você pode ser o protagonista de um programa e ter uma ótima remuneração aos 20 ou 25 anos.”

Uma das maiores frustrações no streaming continua sendo os longos intervalos entre as temporadas. “Você pode filmar oito a dez episódios em um ano — depois de já esperar seis meses apenas para começar a gravar — e depois ter 18 meses entre as temporadas”, relata o agente. “Então, em três anos, você filma 16 episódios.”

Perspectivas para roteiristas e o futuro da indústria

Para roteiristas que esperam ter seus próprios shows, a TV aberta oferece um terreno de treinamento mais robusto, segundo outro agente de talentos. “Você começa a produzir mais cedo e está envolvido na produção enquanto escreve”, explica.

Um terceiro agente argumenta que os clientes simplesmente não podem mais se dar ao luxo de serem excessivamente seletivos. “Quando todos os streamers estavam lançando, era uma corrida armamentista por talentos”, lembra. “Poderíamos negociar acordos enormes e todos estavam ganhando dinheiro fazendo coisas legais.”

Ainda assim, persistem os receios de que as emissoras possam abandonar completamente a programação roteirizada em favor de esportes e notícias, com os custos dos direitos esportivos previstos para corroer ainda mais os orçamentos de ficção. Um quarto agente resumiu a situação de forma direta: “Tudo vem de algum lugar, certo?”

O que isso significa para as estrelas?

A mudança de cenário em Hollywood reflete uma busca por segurança em um mercado cada vez mais volátil. Enquanto o streaming oferece a promessa de papéis de destaque e projetos inovadores, a realidade dos contratos instáveis e longas pausas entre trabalhos tem levado muitos a reavaliar suas prioridades. A TV aberta, com sua previsibilidade e consistência, surge como um porto seguro para talentos que buscam manter uma carreira estável e sustentar suas vidas. Essa tendência pode indicar uma nova fase na indústria, onde a nostalgia e a necessidade de segurança andam de mãos dadas, redefinindo o que significa ser um sucesso em Hollywood.

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