Simaria e Simone: a verdade por trás do escândalo real
Dez de junho de 2022 em Caruaru. Simaria chegou com mais de uma hora de atraso ao palco do São João e encontrou uma Simone que já tinha levado o show quase sozinho. Aquele microfone aberto diante de milhares de pessoas foi o início do fim de uma estrutura que faturava milhões e parecia inquebrável. O público assistiu ao vivo ao desconforto de uma irmã tentando encerrar a apresentação enquanto a outra insistia em continuar cantando para recuperar o tempo perdido.
Aquelas farpas trocadas sob as luzes da maior festa junina do mundo foram o ápice de uma crise que vinha sendo cozinhada em fogo baixo nos bastidores da S.S. Gravações e Edições Musicais. Poucas semanas antes, em maio de 2022, um áudio vazado durante a gravação do Programa do Ratinho no SBT já tinha revelado que o tom entre as duas não era mais de harmonia. Simaria gritava que sua voz estava rouca e que Simone a estava sufocando, enquanto Simone pedia apenas que a irmã a escutasse para não perderem o ritmo.

O que realmente aconteceu segundo os registros
A ruptura definitiva ganhou contornos dramáticos em 15 de junho de 2022, quando Simaria concedeu uma entrevista bombástica ao colunista Leo Dias, do portal Metrópoles. Sentada em sua mansão, ela declarou que estava cansada de ser silenciada pela irmã por mais de vinte anos. Simaria usou palavras fortes para descrever a dinâmica da dupla, afirmando que tudo o que fazia era criticado por Simone, desde a forma de vestir até as ideias de produção visual. Ela disse que não aguentava mais ser comparada ou corrigida em público como se fosse uma criança.
O registro oficial da separação veio dois meses depois. Em 18 de agosto de 2022, as redes sociais das artistas publicaram um comunicado conjunto anunciando que Simone e Simaria seguiriam carreiras solo. O texto era polido e falava em respeito mútuo, mas os bastidores mostravam uma divisão complexa de bens e contratos publicitários. Simone assumiu a banda original e a maioria dos compromissos de agenda, enquanto Simaria se retirou para cuidar da saúde mental e dos problemas nas cordas vocais que já a acompanhavam desde a época em que contraiu tuberculose ganglionar em 2018.
Dados da Receita Federal apontam que a sociedade comercial entre as duas precisou passar por uma reestruturação profunda para que Simone pudesse seguir com o projeto Cintilante. Simaria ficou com uma parte considerável do patrimônio imobiliário e dos direitos sobre obras passadas. O escândalo não foi apenas um desentendimento familiar, mas uma desmontagem logística de uma das marcas mais lucrativas do agronegócio e do entretenimento nacional que vendia o ideal da união fraternal como produto principal.
O que a cobertura da época errou ou ignorou
A maioria dos veículos de fofoca tratou o caso como uma briga de egos alimentada pela vaidade de Simaria, ignorando a colisão profunda de visões empresariais que existia ali. Simaria sempre almejou uma carreira com estética de diva pop internacional, inspirada em nomes como Kim Kardashian, enquanto Simone se sentia mais confortável mantendo as raízes do sertanejo tradicional e a conexão com o público religioso. Essa divergência de metas criava atritos diários na escolha de figurinos, roteiros de clipes e até na seleção de repertório para os álbuns.
A imprensa também falhou ao não dar o peso devido ao estado de exaustão de Simone, que por diversas vezes precisou assumir a frente da dupla durante os afastamentos médicos de Simaria. O público via a paciência de Simone no palco, mas não sabia que ela carregava o faturamento de centenas de funcionários sozinha enquanto a irmã lidava com crises de ansiedade e problemas de saúde. A cobertura padrão focou no sensacionalismo da briga no Ratinho e esqueceu de analisar que a dupla já operava em regimes de trabalho desiguais há pelo menos quatro anos.
Outro ponto que ninguém contou com clareza na época foi a influência de terceiros na gestão da crise. Pessoas próximas à família, ouvidas por portais como o Extra em julho de 2022, relataram que as brigas eram frequentemente agravadas por palpites de assessores e familiares que tomavam partido de um dos lados. O que era um problema de comunicação entre irmãs virou uma guerra de trincheiras dentro da própria casa. A narrativa da vilã controladora contra a mocinha sofrida foi uma simplificação conveniente para gerar cliques, mas a realidade era de duas mulheres adultas que não conseguiam mais conciliar o papel de sócias com o de irmãs.
Simaria escolheu a própria voz quando o mundo inteiro esperava que ela continuasse sendo apenas a metade de um produto lucrativo.

O que sobrou depois que a tempestade passou
O resultado da separação foi um dos maiores casos de sucesso solo da história recente da música brasileira. Simone Mendes lançou a música Erro Gostoso em 2023 e atingiu o topo do Spotify Brasil, permanecendo entre as mais ouvidas por meses. Ela venceu o Prêmio Multishow de Música do Ano e provou que o público estava pronto para consumi-la sem a presença da irmã. O legado da dupla permaneceu vivo nas plataformas digitais, mas a marca Simone Mendes se consolidou com uma força que surpreendeu até os executivos das gravadoras.
Simaria adotou uma estratégia de silêncio bissexto. Ela passou a focar em sua presença nas redes sociais, onde acumula mais de 28 milhões de seguidores, e em eventos de moda internacionais. Ela ainda não lançou o aguardado álbum solo que muitos esperavam para 2024 ou 2025, preferindo investir em sua imagem como influenciadora de luxo e empresária. A conexão entre as duas irmãs segue marcada pela distância física e emocional, com aparições raras em festas de família e pouquíssimas interações públicas.
O escândalo deixou uma lição clara para a indústria da fama no Brasil sobre os riscos de misturar laços de sangue com sociedades bilionárias. Simone hoje é a rainha das arenas, faturando cachês que ultrapassam 500 mil reais por apresentação, enquanto Simaria mantém o mistério sobre seu retorno aos palcos. O que ficou foi a imagem de uma família que precisou se quebrar para que cada uma encontrasse sua própria identidade fora da sombra da outra. A música sertaneja perdeu sua dupla mais carismática, mas ganhou uma lição de realismo sobre os limites da tolerância humana sob pressão.
A fortuna está dividida e os microfones estão separados, mas o público ainda busca nos olhos de cada uma o brilho daquela união que um dia pareceu eterna.
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