Cheryl Strayed anuncia morte do marido dias após revelar doença fatal
A renomada autora Cheryl Strayed, conhecida mundialmente pelo seu livro autobiográfico “Livre” (Wild), anunciou nesta sexta-feira (10) o falecimento de seu marido, o cineasta Brian Lindstrom. Ele tinha 65 anos e lutava contra uma doença fatal.
“Brian Lindstrom morreu esta manhã da maneira como viveu – com gentileza e coragem, graça e gratidão por sua bela vida. Nossos filhos, Carver e Bobbi, e eu o seguramos enquanto ele dava seu último suspiro e o seguraremos para sempre em nossos corações”, escreveu Strayed em uma postagem emocionante no Instagram.
A escritora, de 57 anos, revelou no dia 1º de maio que Lindstrom havia sido diagnosticado com uma “doença séria e fatal”. Na sua declaração de sexta-feira, ela confirmou que ele perdeu a batalha contra a Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP), uma doença neurológica rara que afeta o controle do movimento, o equilíbrio, a fala, a deglutição e outras funções.
A notícia da morte de Brian Lindstrom chega apenas 10 dias após Cheryl Strayed compartilhar publicamente o diagnóstico de seu marido. A revelação da doença já havia abalado os fãs da autora, que cancelou sua oficina de escrita e uma participação em um evento em Nova York para ficar ao lado dele e da família durante este período difícil.

Strayed, que se casou com Lindstrom em 1995, descreveu a relação de mais de trinta anos como uma “sorte tremenda”. “Nós nos amamos e nossos filhos com profunda devoção e verdadeiro deleite. Ele foi um marido espetacular”, declarou, enaltecendo também seu papel como pai. Ela destacou a bondade, compaixão e generosidade de Brian, que via “o bem em todos” e acreditava que “todos somos sagrados e redimíveis”.
Como cineasta, Brian Lindstrom era conhecido por dar voz a “pessoas que a sociedade risca um X”, como ele mesmo dizia. Seus documentários abordavam temas sociais complexos, como mães encarceradas e seus filhos, pessoas com transtornos mentais e de uso de substâncias, adolescentes em abrigos, lares adotivos e centros de detenção. Ele se dedicou a contar histórias de indivíduos marginalizados, “que estavam no fundo e tentando subir”, utilizando sua câmera e “coração espantoso” para ressignificar suas narrativas.
Apesar de sua impactante carreira no cinema, Strayed afirmou que o “maior legado” de Lindstrom são seus dois filhos, Bobbi e Carver, que, segundo ela, “incorporam tudo o que há de bom e verdadeiro em seu pai”. A autora elogiou a “extraordinária graça, coragem e força” do casal diante do momento “aterrorizante”, atribuindo-a ao “amor inabalável que Brian derramou neles todos os dias de suas vidas”.
O legado
Cheryl Strayed, autora de best-sellers como “Torch”, “Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail”, “Tiny Beautiful Things: Advice on Love and Life from Dear Sugar” e “Brave Enough”, construiu uma carreira sólida baseada em suas experiências e conselhos inspiradores. Seu livro “Wild” foi adaptado para o cinema em 2014, com Reese Witherspoon no papel principal, rendendo uma indicação ao Oscar para a atriz. Mais recentemente, “Tiny Beautiful Things” se tornou uma série da Hulu em 2023.
Brian Lindstrom também deixou sua marca no cinema com trabalhos como “Alien Boy: The Life and Death of James Chasse” (2013) e “Lost Angel: The Genius of Judee Sill” (2022). O casal também colaborou na direção do filme “We Are Forbidden” (2019).

Em uma publicação de 2022, Strayed relembrou o início do relacionamento, quando Lindstrom a apoiou incondicionalmente durante a escrita de “Torch”. “Ele acreditava em mim mais do que eu acreditava em mim mesma. Ele sempre, sempre, sempre esteve lá para mim, todas as vezes que precisei dele. Ele me encoraja. Ele acredita em mim”, escreveu na época. A escritora também ressaltou a harmonia do casal como artistas, desmistificando a ideia de ciúmes ou competição, e enfatizando o apoio mútuo.
A perda de Brian Lindstrom deixa um vazio imenso na vida de Cheryl Strayed e seus filhos. “Não sabemos como viveremos sem ele. Estamos completamente desolados. Só podemos trilhar este caminho escuro e buscar a beleza que Brian sabia que estava lá. Será sua luz eterna que nos guiará”, concluiu a autora, demonstrando a profundidade de sua dor e a força do amor que os unia. A comunidade artística e os admiradores de ambos lamentam a perda e enviam seus pêsames à família neste momento de profunda tristeza.
