Anitta hoje: a verdade por trás das sucessivas plásticas
Março de 2014 nos bastidores do prêmio Melhores do Ano, na Globo. Larissa de Macedo Machado, já consagrada como Anitta após o estouro nacional de Show das Poderosas no ano anterior, apareceu diante das câmeras com um curativo no nariz e o rosto visivelmente inchado. O público que esperava encontrar a diva de figurinos curtos e cabelos ondulados encontrou uma mulher em plena metamorfose física. Faustão, sem o filtro que a internet ainda não tinha naquela época, perguntou ao vivo o que havia acontecido. Ela respondeu com a franqueza que viraria sua marca registrada: eu fiz tudo o que tinha que fazer.
Aquelas intervenções iniciais no nariz e a redução de mamas não eram apenas vaidade adolescente ou capricho de uma jovem de 20 anos que acabara de ficar rica. Era o início de uma engenharia de imagem meticulosa que acompanharia sua escalada comercial nos anos seguintes. Anitta entendeu cedo que o mercado fonográfico brasileiro, e mais tarde o mundial, exige uma estética que raramente aceita a natureza sem retoques.

O que estava acontecendo na vida dela antes da mudança
O ano de 2013 foi o momento em que Anitta deixou de ser a MC Anitta da Furacão 2000 para virar um produto de massa. Show das Poderosas atingiu números de audiência que o funk não via há décadas. Ela era a menina de Honório Gurgel que carregava a pressão de ser a sucessora das grandes estrelas do pop nacional. Só que nos bastidores, a pressão estética era sufocante. Segundo relatos da própria cantora no documentário Vai Anitta, lançado pela Netflix em 2018, ela se sentia desconfortável com o próprio corpo em um nível que afetava sua performance no palco.

Antes da primeira grande rodada de plásticas em 2014, Anitta enfrentava críticas constantes sobre sua aparência nos fóruns de internet e comentários de portais. Diziam que ela tinha nariz de batata ou que seu corpo não se encaixava no padrão de perfeição das revistas. Ela estava em meio a uma transição de gerenciamento de carreira, saindo da K2L para assumir as próprias rédeas empresariais. Para conquistar o topo, ela decidiu que não mudaria apenas sua música, mas também a embalagem que a entregava ao mundo.
Os contratos publicitários começaram a exigir uma imagem mais polida. Ela já não era mais apenas a funkeira da periferia, mas a garota propaganda de marcas de cosméticos e moda. Em entrevistas da época para a revista Glamour, ela admitiu que sofria com problemas hormonais que alteravam seu peso, o que gerava uma insegurança profunda. O bisturi apareceu como a solução rápida para uma demanda de perfeição que o ritmo de shows de quinta a domingo não permitia conquistar na academia.

Como foi o processo de verdade: sem filtro
A metamorfose de Anitta não foi um evento único, mas uma série de intervenções que ela passou a tratar como se fosse uma ida ao salão de beleza. Depois do nariz e dos seios em 2014, vieram as lipoaspirações, o preenchimento labial, o desenho do queixo e a arquitetura das pálpebras. Em 2022, durante uma entrevista para o apresentador Howard Stern nos Estados Unidos, ela revelou que não se importava com as críticas porque ela mesma desenhou o próprio rosto em fotos de revista para mostrar ao cirurgião o que queria.
O processo foi doloroso e cercado de memes cruéis que a comparavam ao cantor Michael Jackson. Ela não recuou. Pelo contrário, ela passou a capitalizar sobre a própria transformação. No documentário da Netflix, fica claro que cada mudança física era pensada para as câmeras de alta definição e para o mercado internacional que ela planejava invadir. Ela precisava de um rosto que fosse legível em qualquer cultura: traços marcados, lábios volumosos e uma silhueta que remetesse às divas do pop latino como Jennifer Lopez ou Shakira.

Divergências sobre o número exato de procedimentos alimentam portais de fofoca até hoje, mas estimativas de especialistas em estética ouvidos pelo portal Metrópoles em 2023 sugerem que ela já passou por mais de cinquenta intervenções entre faciais e corporais. Ela nunca escondeu as cicatrizes. Pelo contrário, em suas redes sociais, costuma postar vídeos logo após acordar da anestesia, ainda com as faixas no rosto, quebrando o tabu de que a beleza das estrelas é fruto apenas da genética ou de bons cremes.
Anitta desenhou em um papel o rosto que o mundo deveria comprar.
Essa frase resume bem a mentalidade empresarial por trás da estética. Ela não queria apenas ser bonita: ela queria ser a imagem mais lucrativa possível. O preenchimento labial, que gerou uma enxurrada de piadas em 2016, acabou virando tendência nacional meses depois. Ela ditou o padrão de beleza de uma geração inteira de influenciadoras que hoje buscam nos consultórios o que ela teve coragem de buscar primeiro sob o julgamento público.
A pessoa que existe hoje e o que essa transformação custou
Chegamos a 2026 e Anitta exibe um visual muito mais sofisticado do que a menina que subia os morros do Rio. A maturidade trouxe uma suavização de alguns excessos do passado, mas a busca pela inovação estética continua. O custo dessa transformação foi a perda total de sua fisionomia original, o que gera uma desconexão nostálgica em parte do público que a acompanhava desde o início. Muita gente sente falta da Larissa de Honório Gurgel, aquela que tinha traços comuns e se parecia com qualquer vizinha.

O custo físico também existe. Anitta já declarou em entrevista ao Fantástico, em 2023, que sente as sequelas de tantas anestesias e recuperações cirúrgicas em sua imunidade e disposição. Ela hoje trata a saúde com um rigor quase paranoico para compensar o desgaste de anos de intervenções. A pele impecável que vemos nas capas de álbuns internacionais esconde uma rotina de tratamentos dermatológicos caros e manutenção constante de preenchimentos que não podem simplesmente ser abandonados.
O legado de Anitta na estética brasileira é ambíguo. Ela libertou muitas mulheres ao assumir que o corpo perfeito é fruto de dinheiro e ciência, não de sorte. Por outro lado, ela ajudou a criar uma pressão estética onde o rosto natural parece insuficiente. Onde quer que ela vá, sua fisionomia é o primeiro assunto, superando muitas vezes sua competência como produtora e empresária.
A pessoa que existe hoje é um monumento à vontade própria e ao poder do investimento. Ela não é mais a Larissa, ela é a Anitta, uma marca global que precisou apagar os traços do passado para não ter limites no futuro. Onde o leitor vê vaidade, ela vê estratégia de mercado. No final das contas, ela provou que no show business a imagem é o primeiro contrato que se assina com o sucesso.
Hoje, aos 33 anos, ela olha para as fotos de 2013 como se olhasse para uma estranha. E é provável que, para os planos que ela ainda tem para o mercado mundial, aquela estranha realmente não pudesse chegar onde ela chegou.
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