Um retrato de Guilherme Berenguer hoje em um set de filmagem em Los Angeles. Ele está usando um boné escuro, fones de ouvido profissionais no pescoço e observa atentamente um monitor de vídeo enquanto segura uma prancheta.

Guilherme Berenguer hoje: a vida real do líder da Vagabanda

O ano era 2004 e o pátio do colégio Múltipla Escolha fervia com os primeiros acordes de Você Sempre Será. Guilherme Berenguer subia ao palco improvisado com uma guitarra no peito, o cabelo bagunçado e o olhar que convenceu milhões de adolescentes de que ele era a maior estrela do país. Naquela época, Malhação atingia picos de 42 pontos de audiência, um número impensável para o horário vespertino nos dias atuais. O líder da Vagabanda não era apenas um personagem, mas um fenômeno que vendia de cadernos a álbuns de figurinhas, transformando a rotina do jovem pernambucano em um caos de autógrafos e perseguições em aeroportos.

Muita gente se pergunta por que o rosto que estampava todas as capas de revista sumiu dos folhetins no auge da forma física. A resposta não está em uma falta de convites, mas em uma decisão silenciosa de mudar o ângulo da câmera. Guilherme cansou de ser o produto e decidiu se tornar o criador por trás das cenas que assistimos.

Um retrato de Guilherme Berenguer hoje em um set de filmagem em Los Angeles. Ele está usando um boné escuro, fones de ouvido profissionais no pescoço e observa atentamente um monitor de vídeo enquanto segura uma prancheta.

O que a maioria das pessoas não sabe sobre essa história

O público se acostumou a ver Guilherme Berenguer como o galã que disputava o amor de Letícia, vivida por Juliana Didone, mas nos bastidores o ator já dava sinais de que a atuação era apenas uma parte do plano. Diferente de outros ídolos juvenis que se perdem no brilho momentâneo da fama, ele sempre teve uma organização financeira rígida e um pé no chão que assustava os diretores da Globo. Em uma entrevista concedida à colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, em agosto de 2022, ele revelou que o desejo de estudar cinema e produção sempre esteve latente, mesmo quando ele emendava sucessos como Sinhá Moça em 2006 e Desejo Proibido em 2007.

O que quase ninguém comenta é que a transição para a Record, em 2011, foi o empurrão final que ele precisava para encerrar o ciclo no Brasil. Ele foi o protagonista de Vidas em Jogo, uma das novelas de maior sucesso da emissora paulista, interpretando o motorista Francisco. Ao fim daquela trama, em vez de renovar o contrato milionário ou buscar um retorno triunfal para a Globo, Guilherme pegou as malas e partiu para os Estados Unidos. Ele não foi para passear ou tentar a sorte em Hollywood como muitos brasileiros fazem. Ele foi para recomeçar do zero como estudante de cinema em Los Angeles, sentado em bancos de faculdade onde ninguém sabia quem era o Gustavo da Vagabanda.

Um retrato de Guilherme Berenguer hoje em um set de filmagem em Los Angeles. Ele está usando um boné escuro, fones de ouvido profissionais no pescoço e observa atentamente um monitor de vídeo enquanto segura uma prancheta.

A história por trás da história

A mudança para a Califórnia aconteceu em 2012 e trouxe um choque de realidade que Guilherme buscava há tempos. No Brasil, ele não conseguia ir à padaria sem ser reconhecido. Nos Estados Unidos, ele era apenas mais um imigrante focado em aprender os detalhes técnicos da pós-produção e da direção. Casado com a psicóloga Bianca Cardozo desde 2009, o ator encontrou na vida internacional a estabilidade necessária para formar uma família longe dos flashes invasivos dos paparazzi brasileiros.

Sebastian, o primeiro filho do casal, nasceu em 2013, seguido por Virginia em 2017. Guilherme passou a dividir o tempo entre trocar fraldas e produzir comerciais e vídeos corporativos através da sua própria empresa, a Berenguer Productions. A rotina mudou radicalmente: em vez de decorar 30 páginas de texto por dia, ele passou a analisar orçamentos, escolher locações e dirigir atores que sequer imaginavam seu passado de ídolo pop.

A vida em Los Angeles deu a ele o que o Projac não conseguia mais entregar: o direito ao anonimato.

Mesmo com a distância, o carinho dos fãs nunca esfriou completamente. Sempre que uma reprise de Malhação 2004 entra no catálogo do Globoplay ou volta ao ar no Canal Viva, o perfil de Guilherme nas redes sociais é inundado de mensagens nostálgicas. Ele lida com isso de forma leve, sem o peso de quem precisa daquela aprovação para sobreviver. Ele entende que o Gustavo foi uma etapa fundamental, mas que o Guilherme produtor é quem paga os boletos e busca os filhos na escola no fim da tarde.

Onde está hoje e o que ficou

Atualmente, aos 45 anos, Guilherme Berenguer é um homem de negócios consolidado no mercado audiovisual norte-americano. Ele não descarta um retorno pontual à atuação, como fez em 2016 na série Milagres de Jesus, mas seu foco principal permanece na direção e na produção executiva. Ele mora em uma área tranquila de Los Angeles e mantém uma rotina saudável, focada na família e em projetos que façam sentido para sua maturidade atual.

Um retrato de Guilherme Berenguer hoje em um set de filmagem em Los Angeles. Ele está usando um boné escuro, fones de ouvido profissionais no pescoço e observa atentamente um monitor de vídeo enquanto segura uma prancheta.

O legado de Guilherme na televisão brasileira é o de um ator que soube aproveitar o auge sem se tornar escravo dele. Ele não é uma figura amargurada com o passado e nem alguém que tenta desesperadamente voltar para o topo das paradas. O líder da Vagabanda agora rege a própria vida com uma batuta que ninguém mais segura. Ele provou que existe um caminho digno e muito bem sucedido fora da bolha da celebridade instantânea, trocando o grito da plateia pelo silêncio satisfatório de uma produção bem executada.

A imagem que fica é a de alguém que descobriu que a verdadeira fama é poder escolher exatamente onde e como você quer ser visto.

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