Um retrato em plano médio de Malu Mader em uma livraria de rua no Leblon.

Onde está Malu Mader hoje a atriz mais desejada dos anos 90

Março de 2018 foi o mês em que o crachá mais cobiçado do Rio de Janeiro parou de abrir as roletas do Projac. Malu Mader encerrava ali um vínculo de 35 anos com a Rede Globo, a emissora que a transformou na maior estrela de sua geração. Muita gente achou que era o fim de uma era, mas para ela foi apenas o começo de um silêncio muito bem planejado. Quem acompanhou a trajetória da atriz desde a estreia em Eu Prometo, de 1983, sabe que ela nunca jogou o jogo das celebridades com as regras tradicionais.

O lado intelectual que as capas de revista ignoravam

A cobertura padrão sobre Malu Mader sempre focou na estética. Nos anos 90, não dava pra abrir uma revista sem ler algo sobre suas sobrancelhas grossas ou seu status de musa absoluta. O que muita gente ignora é que Malu sempre foi uma das mentes mais inquietas dos bastidores. Enquanto o público esperava vê-la em festas badaladas, ela estava mergulhada em livros e roteiros, interessada mais em como uma história era contada do que em quem estava na frente da lente.

Em uma entrevista concedida à Folha de S.Paulo pouco tempo depois de sua saída da Globo, ela admitiu que a sensação de estar contratada por tanto tempo trazia uma segurança que, às vezes, anestesiava sua criatividade. Malu não queria ser apenas o rosto que vendia assinaturas de TV. Ela queria dirigir, escrever e pensar o audiovisual de uma forma que o ritmo industrial das novelas raramente permitia. Esse desejo de bastidor foi o que a manteve sã durante décadas de uma exposição que poucas pessoas aguentariam sem surtar.

Um retrato em plano médio de Malu Mader em uma livraria de rua no Leblon.

Dos anos rebeldes ao adeus planejado

O arco de Malu Mader é um dos mais coerentes da televisão brasileira. Ela foi a Maria Lúcia de Anos Rebeldes, em 1992, um papel que cristalizou sua imagem como o rosto da juventude consciente e apaixonada. A minissérie teve uma média de 32 pontos de audiência, um número estrondoso para o horário nobre da época, e ajudou a impulsionar movimentos reais nas ruas. Dali em diante, Malu virou o que chamamos internamente de intocável. Ela podia escolher o que queria fazer e com quem queria trabalhar.

Mas é que o sistema mudou. Quando a Globo começou a substituir os contratos longos por acordos por obra, muita gente entrou em pânico. Malu fez o caminho inverso. Ela aproveitou a deixa para se afastar da obrigação de emendar uma mocinha na outra. A última grande protagonista em uma novela tradicional tinha sido em Celebridade, de 2003, onde viveu a produtora Maria Clara Diniz. Depois disso, suas participações foram ficando mais espaçadas e discretas.

A fama nunca foi o objetivo final de Malu, mas apenas uma consequência inevitável do seu talento.

Essa frase resume bem por que ela não sofre com o sumiço. Casada com Tony Bellotto, dos Titãs, desde 1990, ela construiu uma base familiar sólida que a protegeu das tempestades da fama. Os dois são vistos com frequência caminhando pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, levando uma vida que beira a normalidade absoluta. Não tem ostentação, não tem ostentação de riqueza e, principalmente, não tem rede sociais. Malu é uma das poucas figuras desse escalão que se recusa terminantemente a ter um perfil oficial no Instagram ou Twitter.

Um retrato em plano médio de Malu Mader em uma livraria de rua no Leblon.

A vida no Rio e o retorno inesperado

O presente de Malu Mader é feito de escolhas pontuais e muito bem pensadas. Ela passou anos focada em projetos de direção e documentários, trabalhando atrás das câmeras para o canal fechado e em produções independentes. Mas quem diria que o retorno para o grande público viria justamente em um remake. Em 2024, Malu aceitou o convite para uma participação especial na novela Renascer, interpretando a personagem Aurora. Foi um evento nacional. O site Gshow registrou que a volta da atriz aos folhetins gerou uma onda de nostalgia que as redes sociais não viam há anos.

Hoje, aos 59 anos, ela vive em uma cobertura no Rio de Janeiro e mantém o mesmo ar de sofisticação despretensiosa que a consagrou. Ela não faz questão de esconder o passar do tempo e nem de lutar contra as rugas de forma agressiva como tantas colegas. Malu parece confortável na própria pele e na decisão de não ser mais o centro das atenções 24 horas por dia. O legado que ela deixa é o de uma mulher que soube ser a maior sem precisar implorar por atenção.

Um retrato em plano médio de Malu Mader em uma livraria de rua no Leblon.

O silêncio de Malu Mader é mais barulhento do que a presença de muita gente que está no ar agora. Ela provou que é possível ser uma lenda viva sem precisar postar o que comeu no café da manhã para se sentir relevante.

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